Que vamos fazer?
Nos últimos oito anos, a educação brasileira foi envolvida em um redemoinho de transformações determinadas pela nova Lei de Diretrizes e Bases do Ensino, seguida por mais leis, decretos e portarias ministeriais que remexeram em todos os níveis e modalidades de ensino. Era preciso.
A Era da Informação, cujo capital passa a ser o conhecimento, surpreendeu o país com o ensino público deteriorado, milhões de crianças fora da escola, metade dos alunos da educação básica em situação de atraso, baixa escolaridade média e uma ínfima parcela de jovens na graduação.
Muitos avanços, desde então, foram registrados, mas nenhum milagre aconteceu. Nem acontecerá, pois em educação não há resultados rápidos e as melhorias derivam de uma soma de ações que pedem continuidade e um fluxo contínuo de esforços que girem em torno da certeza de que, sem educação, podemos até nos tornar uma das primeiras economias do mundo, mas, paradoxalmente, viveremos em uma sociedade injusta e desequilibrada. Quase falida.
Quase. Não somos pessimistas a ponto de crer impossível reverter o quadro de exclusão educacional que marcou a construção do Brasil – que, é bom lembrar, não é sinônimo de não freqüentar a escola, mas ser forçado a se submeter a um ensino ruim e à realidade da evasão, pois (já dizia Anísio Teixeira há meio século) uma das pragas da educação brasileira é o fato da população menos favorecida ter sido acostumada a pensar que estudar é algo a que seus filhos só devem se dedicar se nada mais tiverem a fazer, como trabalhar para ganhar o seu, mesmo sem qualificação profissional. Apesar de ser preciso uma mudança na mentalidade brasileira, e de termos que embutir a educação como prioridade de qualquer esfera de governo, pode-se reverter o quadro de exclusão investindo em propostas possíveis para os problemas-chave.
O governo passado quase universalizou o acesso ao ensino fundamental. Não universalizou, contudo, a qualidade, nem implantou o horário integral – o que seria atribuição dos municípios, que, porém, dependem dos recursos do Fundeb. Permitir que 13 milhões de crianças (a estimativa de déficit neste nível) permaneçam até os sete anos sem assistência educacional em um país onde a maioria vive na pobreza é inadmissível. Hiato, como sabemos, que solapa o futuro desempenho escolar (e social) do cidadão. Que vamos fazer?

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