19.10.07

O Futuro dos Nossos Jovens

Segundo o estudo Mapa da Violência III, da Unesco, 39,2% dos jovens que morrem no Brasil são assassinados, chegando a 50% no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Pernambuco. O documento destaca a escalada de homicídios nesta faixa etária na última década, cujas causas podem ser atribuídas a um processo de urbanização desorganizado, à ineficiência e insuficiência dos serviços públicos e ao desemprego: o número de empregados entre 15 e 24 anos caiu quase 50% entre 1991 e 2001. Jovens pobres, com baixa escolaridade, pressionados desde cedo a ganhar seu pão (começam a trabalhar entre 12 e 14 anos), estão se tornando mão de obra potencial para o crime organizado.

Estudo como o mencionado aqui é fundamental como diretriz para as políticas públicas formuladas para este estrato da população cada vez mais numeroso e problemático. De fato, o Brasil está no pico de uma “onda de adolescentes” que só começou a declinar em 2005 – são 21.249.557, entre 12 e 18 anos. Ela varre o país em uma fase de insegurança generalizada, provocada pelo fechamento do mercado de trabalho, fraco crescimento econômico e agravamento das disparidades sociais. O aspecto positivo é que esta onda cresceu em plena década da educação, iniciada com a promulgação da LDB, em 1996, e marcada pelo esforço de universalização e modernização do ensino. Não poderia haver momento mais propício para identificarmos os desejos, vulnerabilidades e potencialidades deste grupo, única forma de respondermos eficazmente às suas demandas.

Cerca de 40% da nossa população é menor de 18 anos e 40 milhões de crianças e adolescentes vivem na pobreza, sem idéia de como construir um futuro digno. Trabalhar por sua inclusão na sociedade, expandindo e melhorando a qualidade da educação pública, criando alternativas de trabalho e estimulando neles o espírito de cidadania e cooperação é vital para alcançarmos o desenvolvimento social sustentável. Torçamos para que o Brasil ouça os recados que eles estão mandando e direcione suas ações segundo o que pensam e precisam. Para que possa, sobretudo, direcionar a “onda” e torná-la menos destrutiva.

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