EMPREENDEDORISMO
Claro que nada acontece de repente. A euforia em torno do empreendedorismo que hoje toma conta das instituições de ensino médio e superior brasileiras não surgiu do nada. Já era esperada neste cenário que, aos poucos, foi sendo desenhado pela globalização e pelas transformações advindas dos avanços tecnológicos, que, se por um lado facilitaram nosso dia a dia, por outro levaram a sociedade a um tal grau de complexidade que não conseguiríamos sobreviver se não nos exercitássemos, diariamente, na busca do conhecimento; ou seja, se não tivéssemos capacidade empreendedora. Logo, o ensino do empreendedorismo em escolas e universidades deve ter como meta aperfeiçoar dons que todos trazemos, fornecendo aos alunos, paralelamente, ferramentas para que sejam bem-sucedidos na tarefa de construir, manter e gerir um negócio – nem que o negócio que tenham em vista seja apenas a carreira que escolheram.
Portanto, a pergunta que tantos fazem, “é possível ensinar empreendedorismo?”, não procede. Empreendedores somos todos. Contudo, é possível e urgente ensinar alguns princípios de administração, especialmente no Brasil, onde, apesar do grande número de pequenas empresas, muitos se lançam no mercado levados pela necessidade, sem planejamento algum, fracassando em seguida. É também possível e urgente repensar processos educativos a fim de estimular nos jovens a criatividade, a autoconfiança indispensável para encarar riscos e autonomia para procurar e identificar conhecimentos necessários à concretização de suas idéias.
Na verdade, mais de duas centenas de nossas instituições de ensino já abriram as portas à educação para o empreendedorismo. O Brasil está, porém, engatinhando, se comparado aos Estados Unidos, onde há milhares de cursos de formação de empreendedores. Será que os americanos são mais empreendedores que nós? que nos acomodamos à “cultura do emprego”? Não. A diferença está na ênfase que cada país deu à educação – a verdadeira, que democratiza e promove a circulação de informações, que adota a pesquisa como princípio pedagógico, que desenvolve o espírito crítico que nos permite fazer deduções a partir das informações de que dispomos e, com isso, antecipar o futuro com alguma margem de segurança. Logo, o empreendedor bem sucedido, aquele que chamamos de “visionário”, não foi agraciado pelos deuses com um terceiro olho. É um indivíduo com dois olhos bem treinados, que enxergou as variáveis de um contexto, fez projeções e equacionou problemas que estavam por vir, antes que os outros se dessem conta.

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