Frases Inesquecíveis

  Breves declarações são bastante reveladoras acerca do modo de pensar de um indivíduo, e de seus planos (ainda que, muitas vezes, eles desejem voltar no tempo para consertar suas gafes). Assim, resolvemos reunir aqui observações sobre os problemas da educação,  feitas por autoridades, educadores e pesquisadores da área. Não porque mereçam aplausos ou vaias (ou, quem sabe, risos), mas porque instigam nossa reflexão ou disparam aquele alerta de que algo não vai bem. Esta é uma página aberta ao leitor. Se os nossos olhos e ouvidos não detectaram alguma declaração que despertou sua atenção, seja por qual motivo for, por favor, envie-nos para que possamos incluí-la.

1- "Obviamente que sempre haverá aqueles que vão dizer que o ideal é ter ensino público e gratuito para todo mundo, sempre. Isso pode ser uma tese, porque o Estado nunca vai ter condições de bancar a totalidade. Sempre haverá universidade particular, e o fato de criarmos essa bolsa é dizer claramente o seguinte: estamos fazendo com que, na escola particular, centenas de alunos possam estudar sem pagar um único centavo, que é a mesma obrigação que o Estado tem com aqueles que estão na escola pública federal ".

(Presidente Lula, em 13 de janeiro, ao sancionar o Prouni).

2- "Sei que é insensato achar que, em um país tão desigual, as crianças deveriam ser tratadas como brasileiras, com direitos iguais, e não como municipais, com direitos diferenciados".

(Senador Cristovam Buarque, em artigo publicado na Folha em 18 de janeiro, respondendo ao Ministro Tarso Genro, que o chamou de insensato por propor a federalização da educação básica).

3- "As ações afirmativas em relação a etnias ou grupos sociais desfavorecidos devem ser feitas pelo decidido apoio público em larga escala à sua preparação acadêmica para ingressar em nossas melhores instituições em igualdade de condições com os demais alunos".

(Ex-ministro Paulo Renato Souza, sobre a Reforma Universitária, publicado no Estado de São Paulo em 25 de janeiro, comentando a política de cotas nas universidades federais).

4- "O ministério investe contra a "mercantilização do ensino", ao dizer que "o ensino não é mercadoria, é bem público". Mas isso é como dizer que os médicos com práticas privadas são mercadores que não se interessam pela saúde de seus pacientes. Assim como existem instituições privadas onde prevalece a preocupação exclusiva pelo lucro, também o setor público pode ser de péssima qualidade, por conta dos interesses corporativos de professores e funcionários".

(Cláudio de Moura Castro, economista, e Simon Schwartzman, sociólogo e presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), comentando a reforma universitária no Estadão, em 23 de janeiro).

5- "(...) Na América do Norte e na Europa, onde estão os países mais comprometidos com eqüidade, há vagas para todos nos cursos de graduação de quatro ou cinco anos. Ainda assim, mais da metade dos alunos preferem os curtos. Não obstante, muitos tupiniquins têm ojeriza aos cursos técnicos ou de tecnólogos, acusando-os de ser uma forma de segregação dos pobres"

(Cláudio Moura e Castro, economista, em artigo divulgado no site e-agora.org.Brasil em 23 de outubro de 2003).

6- "O discurso de que educação é prioridade se torna diferente na prática. Os números mostram que não houve prioridade nestes anos para o setor"

(Carlos Paiva, pesquisador do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, responsável por levantamento que comprova redução de 58% nos gastos em educação entre 1995 e 2003, em entrevista à Folha, em 06 de agosto de 2004).

7- " Quem define se há necessidade social? Pelo projeto, serão as corporações profissionais. Ou seja, estamos inaugurando, com o projeto do MEC, um neocorporativismo, que o Brasil está inventando para definir o que é demanda social"

(Maria Helena Guimarães de Castro, ex-presidente do Inep e atual secretária de Desenvolvimento e Promoção do governo paulista, sobre o critério de "necessidade social" do MEC para abertura de novos cursos superiores. Em entrevista ao Estadão, dia 23 de janeiro).