PRONUNCIAMENTO DE ABERTURA
DO III SEMINÁRIO
NACIONAL DOS CENTROS UNIVERSITÁRIOS EM BELO HORIZONTE Magno de Aguiar Maranhão
*
No cenário da expansão e das transformações
que têm se verificado dentro da educação brasileira,
a partir da aprovação da nova LDB, os centros universitários
assumiram um papel relevante, tornando real a possibilidade, antes
apenas imaginada, de um novo modelo de instituição
de ensino superior, comprometida fundamentalmente com a excelência
da graduação. As leis, porém, não inventam
nada: muitas vezes, elas refletem necessidades latentes da sociedade
e criam condições para que sejam atendidas. A criação
dos centros universitários, portanto, obedece a uma tendência,
ou melhor, a um imperativo de diversificação do sistema
de educação superior, indispensável para que
possamos responder eficazmente às crescentes demandas dos
vários setores sociais. Tanto é assim que, neste
nosso terceiro encontro nacional, já trazemos uma bagagem
de vitórias, e estamos ansiosos para falar de nossas experiências,
discutir assuntos que dizem respeito à administração
de todas as instituições de ensino superior e, sobretudo,
formar uma rede de colaboração que, sem dúvida,
apoiará cada unidade no alcance de suas metas.
Sabemos que muitas
instituições que se congregaram
em centros universitários têm larga experiência
no âmbito da educação superior. Como centros
universitários, porém, existem há curto espaço
de tempo, e seus movimentos obedecem a novas perspectivas e novas
normas. Por isso, não importa quantas décadas estejamos
na luta, tenho certeza que, hoje, todos temos dúvidas para
tirar, pontos para esclarecer e reivindicações e
reclamações a fazer. E isso é ótimo,
pois prova que queremos “arrumar a casa”, ou seja, garantir que
sejam respeitadas as condições necessárias
para que nossas instituições possam crescer, aperfeiçoar-se
e atingir os objetivos traçados em seu Plano de Desenvolvimento
Institucional.
Este será o tema com que abriremos este III Seminário
Nacional. O PDI como instrumento norteador da gestão dos
centros universitários. Esta discussão é importantíssima,
pois o PDI não se constitui somente em um compromisso assumido
com o Ministério da Educação, ou em uma forma
da instituição dizer a que veio e o que pretende.
Trata-se, acima de tudo, de um compromisso da instituição
consigo mesma, baseado, assim esperamos, em possibilidades reais
e bastante autocrítica. Um trabalho conjunto, que exige
cooperação e muita sintonia entre todos os departamentos.
Digamos que o PDI seria, em muito menor escala, o plano nacional
de educação.
Seguimos com “Recredenciamento das IES – procedimentos processuais,
critérios e padrões de avaliação”.
Assunto que não vai se esgotar tão cedo, graças às
lacunas deixadas pelos padrões de avaliação
externa que as IES, hoje, precisam seguir, desde a criação
do Provão e da paralela Avaliação das Condições
de Oferta dos cursos de graduação. Este seminário
vai enfocar também o “Financiamento do ensino superior”,
tema sobre o qual raramente existe um consenso. Quem financia,
hoje, o ensino superior no país? Se cerca de 1,8 milhão
dos 2,7 milhões de alunos da graduação estudam
em instituições privadas, então mais da metade
do sistema é financiado pelos estudantes, o que é de
fato problemático, se levarmos em conta que a expansão
do ensino médio está se dando na rede pública,
onde estudam as camadas menos favorecidas da população,
que encontram enormes dificuldades para pagar as mensalidades de
um curso superior. Enquanto isso, as IFES consomem 70 por cento
das verbas para a educação. A meta do Plano Nacional
de Educação continua sendo, porém, cinco milhões
de matrículas no ensino em 2006. Como sustentar essa meta,
diante do visível descompasso? A discussão está lançada.
Mas o importante
a frisar é que, apesar dos contratempos
e do clima de incertezas, os centros universitários vêm
cumprindo seu papel com eficácia. Segundo o último
censo da educação superior, eles lideraram o crescimento
de matrículas no último ano pesquisado (mais de 50
por cento) e, neste período, pulamos de 39 para 50 centros.
Aqueles que sonharam com essa nova maneira de “fazer” o ensino
superior, portanto, estavam certos: o sistema precisava de mudanças
e temos espaço para crescer.
E o melhor é que estamos conseguindo realizar isso com
qualidade e com a preocupação de oferecer uma formação
afinada com as demandas regionais, nacionais e globais, sem cair
na tentação dos modismos. O Uni-BH, que hoje sedia
este evento, é uma prova disso. Além dos cursos de
graduação e pós-graduação, vem
apostando também em outra inovação, os cursos
seqüenciais. Mas seqüenciais que abordam temas atuais
e que apenas começam a ser explorados, como educação
inclusiva, ambiental, gestão de pequenas empresas, gestão
de grupos de terceira idade, etc. Escolha de temas que revelam,
realmente, uma sintonia perfeita com os novos paradigmas que a
sociedade brasileira está impondo para que possa se tornar,
enfim, uma sociedade mais humana e mais justa. Como educadores,
independente de onde nos encontremos, temos obrigação
de ajudar nessa tarefa. Como representantes de instituições
de voltadas para a educação superior, temos obrigação
de fazer com que esta meta norteie os nossos projetos e esteja
no centro de nossas discussões.
*Presidente da Associação
Nacional dos Centros Universitários – ANACEU
JULHO DE 2001 |